Nunca pensei que um simples lenço azul pudesse gerar tanta tensão. O momento em que ele segura o plástico com o tecido e lembra da menina é o clímax da emoção. A forma como Tudo por Amor constrói o mistério em torno desse objeto é genial. Ela no carro, com aquela expressão fria, sabendo de tudo, enquanto ele se desfaz em prantos lá fora.
A sequência dele correndo atrás do Mercedes preto é visualmente impactante. O terno bege impecável ficando desalinhado, o rosto banhado em lágrimas. Tudo por Amor usa muito bem o ambiente urbano e moderno para destacar a solidão dele. Quando o carro acelera e deixa apenas o véu para trás, senti que meu coração parou junto com o dele.
A frieza dela ao jogar o anel e fechar a janela do carro é assustadora. Dá para ver nos olhos dela que ela conhece a verdade, mas escolhe o silêncio. Tudo por Amor cria uma dinâmica de poder interessante: ele é o poderoso empresário, mas diante dela, é apenas um menino perdido procurando respostas. A química entre os dois, mesmo à distância, é elétrica.
As cenas das crianças são tão fofas quanto dolorosas. A menina protegendo o menino, o desenho no chão, o lenço como símbolo de cuidado. Quando ele adulto descobre isso em Tudo por Amor, a dor é palpável. É triste ver como o destino os separou e como um mal-entendido pode durar anos. A atuação das crianças também merece aplausos.
Não há diálogo quando ele vê o carro indo embora, mas o grito dele é ensurdecedor. A câmera foca no rosto dele, vermelho de choro, e em Tudo por Amor isso vale mais que mil palavras. A forma como ele segura o anel que caiu no chão mostra que ele ainda tem esperança, mesmo com tudo perdido. Uma cena de tirar o fôlego.